“Belém, minha terra, meu rio, meu chão
Meu sol de janeiro a janeiro, a suar
Me beija, me abraça que eu
Quero matar a imensa saudade
Que quer me acabar
Sem círio de virgem, sem cheiro cheiroso
Sem a chuva das duas que não pode faltar
Murmuro saudades de noite abanando
Teu leque de estrelas
Belém do Pará!” - Fafá de Belém
Meu sol de janeiro a janeiro, a suar
Me beija, me abraça que eu
Quero matar a imensa saudade
Que quer me acabar
Sem círio de virgem, sem cheiro cheiroso
Sem a chuva das duas que não pode faltar
Murmuro saudades de noite abanando
Teu leque de estrelas
Belém do Pará!” - Fafá de Belém
BELÉM é uma linda cidade. Morena e faceira, uma cidade mulher.
A cidade das minhas recordações, um tanto saudosistas, é a cidade do Intendente Antônio Lemos, das obras de Landi, das avenidas largas com seus túneis de mangueiras, do Círio e Arraial de Nazaré, da chuva das duas horas (que não alagava, só amenizava o calor tropical), da riqueza de seus igarapés urbanos, da beleza das águas do Rio Guamá e da Baia do Guajará, num verdadeiro abraço sobre a várzea e orla da cidade. Esta cidade não existe mais.
A cidade que vivemos, nesta primeira década do século XXI, próxima de ser quatrocentona, é caracterizada pelo caos, pela ocupação irracional do solo urbano (porque prédios de 40 andares?), pelas invasões (inclusive de áreas em áreas de risco e de preservação ambiental), pelo trânsito suicida, pelas montanhas de lixo e entulho, pelas valas negras com esgoto a céu aberto, pelas ruas esburacadas e alagadas. Não cresceu, inchou, favelizou, africanizou. A conurbação, apelidada de Região Metropolitana - RMB, é fruto de absoluto descaso das ultimas incompetentes administrações municipais, populistas, sem talento, provincianas, omissas com relação ao planejamento urbano e as reais necessidades da população, principalmente das excluídas. O Plano de Desenvolvimento Urbano - PDU e a Lei Complementar de Controle Urbanístico, são instrumentos de gestão urbana, ignorados e modificados de acordo com interesses de alguns fregueses.
A atual administração municipal supera todas as anteriores em omissão e incompetência, pelos projetos e obras e ações que não iniciou, não concluiu ou se omitiu. Segue um rico elenco de atitudes “estruturantes” do nosso ausente alcaide: Portal da Amazônia (Orla do Rio Guamá); Pórtico Metrópole do Entroncamento; binário da Pedreira; remanejamento digno de ambulantes; Macrodrenagem da bacia da Estrada Nova e do Paracuri; coleta e destino final do lixo de maneira civilizada; urbanização da Marquês; dragagem e manutenção dos canais; omissão com o uso do solo, etc.
Enfim, Belém é um rosário de promessas não cumpridas e um canteiro de obras, paradas.
A Cidade que desejo viver, compatível como Metrópole da Amazônia, quatrocentona, é, para começar ,uma cidade com comando, com gestão competente e criativa, respeitando a população, interagindo com outros níveis de Governo, integrada e liderando projetos de abrangência metropolitana (transporte urbano, sistema de coleta de lixo, controle de cheias, sistema de segurança pública), etc.
A cidade do meu imaginário é uma cidade sustentável, saudável e sócio e ambientalmente justa. E ainda preservando nossos valores ambientais e a rica cultura da cidade morena e faceira.
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