Pages

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

As Cheias de Belém – Verdades e soluções

Belém é uma cidade cercada por duas grandes massas de água a Baia do Guajará ao Norte e do Rio Guamá ao Sul. É entrecortada por igarapés - canais urbanos, em 14 bacias de drenagem, onde se precipitam, cercam três mil milímetros de chuva por ano com altas concentrações e intensidades nos meses de janeiro a abril. Nessa época do ano, é recorrente ver as cenas de ruas alagadas, casas inundadas, trânsito parado por conta das cheias em alguns pontos críticos da cidade.
 A altimetria de Belém como um todo consta de um grande divisor de águas formado pelo “espigão” das avenidas Presidente Vargas, Nazaré, Magalhães Barata, Almirante Barroso e BR-316. Os bairros que se encontram ao norte desse espigão drenando a Bahia do Guajará, pertencem as bacias do Comércio, Tamandaré, Reduto, do Armas ou da Doca de Souza Franco e do Una. Para o sul que drena em direção ao Rio Guamá, além de outras menores, estão as bacias da Estrada Nova e do Tucunduba. Estas duas grandes bacias são densamente povoadas, ocupadas desordenadamente, praticamente sem nenhuma área para que ocorra a infiltração de águas no solo e seja mantido o ciclo hidrológico urbano das chuvas. Os canais principais estão obstruídos por falta de limpeza, por casas que se colocaram em áreas de risco, o que agrava o problema dos alagamentos.
Os investimentos necessários para controlar as cheias em Belém foram feitos em épocas distintas, por entidades diferentes, entretanto com a mesma concepção: diques, canais de macrodreanagem, comportas e a rede de galerias de microdrenagem. Os canais e drenagem da Tamandaré, Doca e Reduto foram feitos na década de 60 e 70, por um órgão federal chamado Departamento Nacional de Obras de Saneamento - DNOS. Foram obras de drenagem urbana e de controle de cheias. Na década de 90 e início de 2000, o governo do Estado, com o financiamento do BID, executou um bom plano de drenagem e controle de cheias que contemplou a bacia do Una, a maior bacia de Belém, com 3.600 hectares, que beneficia 13 bairros.
Os bairros e as bacias ao norte da cidade, drenando pra a baia do Guajará já receberam grande parte das medidas estruturais, compreendendo obras de canais de macrodrenagem, comportas para controlar o fluxo das marés, galerias de microdenagem, aterros e pavimentação. Nestas bacias, faltam medidas permanentes, não estruturais, como a manutenção do canal, galerias e comportas, com equipamentos adequados e de forma contínua, pela Prefeitura de Belém. A população deve ser grande parceira através da  educação ambiental, para manter a cidade limpa, sem entulhar o sistema de drenagem.
Atualmente, na bacia da Estrada Nova, que compreende cerca de 900 hectares onde vivem aproximadamente 350 pessoas está sendo executado o projeto Portal da Amazônia, o qual prevê a recuperação de toda a orla da Bernardo Sayão, além de obras de micro e macrodrenagem. Os trabalhos estão apenas em fase inicial. Torna-se urgente melhorar a qualidade de vida dessa população
Se circularmos pela Estrada Nova observando todos os seus canais e afluentes, percebemos uma necessidade de alargar suas dimensões. Dessa forma, proponho a partir da Fernando Guilhon, o alargamento da Bernardo Sayão, com uma plataforma sempre de 70 metros, havendo duas pistas com três faixas em cada sentido, canteiro central, calçadão Os canais da bacia devem ser dragados e revestidos, com comportas em cada foz para manejo das águas do rio Guamá, que inundam grande parte a bacia. São previstas  áreas internas de acumulação de água de chuva. A concepção dessas áreas de acumulação de água seria como a dos “piscinões” que estão sendo feitos na cidade de São Paulo, poderiam ter lâminas d’água para serem aproveitadas para o lazer.
 Atualmente, estão sendo realizadas as obras em canais das travessas Dr. Moraes e 14 de Março criando expectativa para a população. Trata-se de um erro começar a fazer a macrodrenagem, canais, galerias, etc., à montante, que é a parte alta de determinados bairros. Como, por exemplo, ocorre na baixada do Marco, em Canudos e na Terra-Firme, onde os canais secundários estão prontos, devidamente revestidos e dragados, mas estão construídos em partes altas e, por isso, lançam águas no canal principal, nesse caso o Tucunduba, que se encontra obstruído, sem dragagem e sem comportas, de modo que os alagamentos continuam.
Acredito que seja necessária parceria entre vários níveis de governo, Universidades e a sociedade civil, para a elaboração de um Plano de Manejo das Águas Pluviais que possa contemplar toda a Região Metropolitana de Belém e resolver definitivamente o problema das cheias urbanas. Cabe ao Poder Público Municipal a execução eficiente e contínua de programas de manutenção dos canais, galerias, comportas, associados a uma ação educativa junto à população e de fiscalização junto a empresas, com cobrança de multas, para evitar a obstrução dos canais.
Sugiro formar um grupo multiprofissional propondo e acompanhando os projetos e obras para melhorar a qualidade de vida da população.